E eu me desorganizando posso me organizar

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eu aprendi a cuidar delas. por exemplo.

Engraçado que mesmo não vindo aqui para escrever, é difícil que tenha se passado um único dia sem que eu pensasse no blog. Eu fico ensaiando e escrevendo verdadeiros textões mentais e pensando em uma pauta, ou somente no fato de que eu não necessariamente quero e/ou preciso escrever sobre livros. Porque eles estão aqui, dentro e fora, como um órgão, um diabinho, um neurônio eterno, uma partezinha indissociável de mim e sou bem grata por isso.  E quando eu digo eles, me refiro ao sentido mais amplo da coisa, que é o conhecimento, o impulso de vida, o alívio que acontece logo depois de quando você abre a timeline do Facebook e quer dar um tiro na cabeça, mas lembra que ter qualquer coisa que valha a pena ser lida é o mesmo que ter onde se esconder de verdade, então não precisa de tiro coisa nenhuma.

E antes de deixar esse trecho magnífico da Susan Sontag (meu deus do céu, me deixa ser ela por um dia!), preciso dizer que foi lendo Marie Kondo que eu aprendi a, finalmente, arrumar meu guarda roupa. E isso quer dizer muita coisa pra quem passou os últimos cinco anos buscando um caminho para arrumar a vida. E está conseguindo.

Ser inteligente, para mim, não é como fazer algo ‘melhor’. É minha única forma de existir. […] Eu sei que tenho medo da passividade (e da dependência). Alguma coisa faz eu me sentir ativa (autônoma) quando uso a mente. Isso é bom.

No Twitter, demorou mas chegou

Pois era só o que faltava: o Comecei a ler um livro e nunca mais tive descanso agora tem uma página no Twitter! A ideia por lá é também publicar micro-trechos escolhidos (sim, sim, aqueles que pesco com carinho todos os dias e prometo que serão diferentes daqueles que vão na fanpage) e divulgar mais a parte de notícias do meio literário, lançamentos, resenhas, etc. A página oficial do Facebook já está com mais de 9.500 seguidores, mas lá na outra rede a audiência ainda está magrinha, magrinha, então se o querido(a) leitor(a) quiser acompanhar este humilde blog também por lá, a arroba é @comeceialer.

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Mas não é uma gracinha?

Métodos para evitar a tentação literária e a autora de 2014

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Ao longo do ano passado, a quantidade de livros que adquiri excedeu o espaço disponível no meu quarto. Há livros por todo o rack, ocupando as partes de frente e de trás das prateleiras, subindo pelo criado-mudo e agora por cima da caixa de discos; acabo de encomendar uma estante nova e minha expectativa (tenho muitas expectativas a meu próprio respeito, assim como Alice pratico o auto-aconselhamento) é eliminar a fila de leitura com prudência e auto-controle. Ontem encontrei um Nelson Rodrigues novíssimo e uma Marina Colasanti a R$ 15 – OS DOIS – na rodoviária de Campinas, mas juro que foi só ontem. Amanhã e depois de amanhã evitarei todas as tentações.


E entre tudo o que foi lido em 2014, com destaque para Os enamoramentos do Javier Marías e a releitura de Cem anos de solidão, escolhi Fazes-me falta como o livro do ano, bem como a autora, a portuguesa Inês Pedrosa, aquela que mais marcou os dias de revezamento entre um título e outro. Na sequencia, também dela, emendei Dentro de ti ver o mar, aproveitando a Black Friday para arrematar a preços módicos mais três títulos. Uma passeada pela Goodreads deixa claro que as avaliações dos leitores sobre Fazes-me falta são oito ou oitenta. Resumidamente, trata-se da troca reconciliadora de monólogos entre a mulher que morreu e o homem que ficou, entre pessoas que precisam passar e repassar a limpo os desígnios da paixão e da amizade para compreender como pode ser possível seguir adiante quando tudo não é mais que ausência e pontas soltas.

Fazes-me falta não é linear, não é compartimentado, não se trata de um livro com início, meio e fim; arrisco que pode soar fácil de levar para os que se deliciam com narrativas de fluxo de pensamento e digressões e um tormento para os metódicos. Porém digo que não foi pela estrutura que o escolhi, pois foi da seguinte maneira: acabara de sentar à mesa de um café de livraria e uma amiga já o folheava:

– Ligia, escute isso:
Comecei a desaparecer no dia em que os meus olhos se afundaram nos teus. Agora que os teus olhos se fecharam sei que não voltarás a devolver-me os meus.

Quando o peguei nas mãos, todas as passagens, cada folha me parecia mais bela que a outra. Razão pela qual a página no Facebook também sofreu um flood bem-intencionado de trechos de Inês Pedrosa, minha eleita de 2014. Tem mais sobre ela aqui.

“Não importa o que se ama. Importa a matéria desse amor. As sucessivas camadas de vida que se atiram para dentro desse amor. As palavras são um princípio – nem sequer o princípio. Porque no amor os princípios, os meios, os fins são apenas fragmentos de uma história que continua para lá dela, antes e depois do sangue breve de uma vida. Tudo serve a essa obsessão de verdade a que chamamos amor. O sujo, a luz, o áspero, o macio, a falha, a persistência.”
– Inês Pedrosa in Fazes-me falta


Devo aproveitar o espaço para prometer que daqui pra frente tudo vai ser diferente e esta blogueira escreverá com bem mais frequencia em 2015.

Leitura e (in)disciplina: um monstro que volta para debaixo da cama

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Este é o primeiro post desde que coloquei no ar a página oficial do blog no Facebook, mas justifico a demora com a divulgação de posts mais antigos na timeline (especialmente aquele que conta como meu desespero infantil em aprender a ler me fez invadir uma escola aos cinco anos de idade, o que explica meu desassossego delicioso e eterno em relação à literatura) e claro, com determinados acontecimentos que me pediram dividir o tempo entre o trabalho comum e a preparação simultânea de textos para dois livros bem distintos.

De qualquer maneira, o retorno foi muito, muito bom. Não só minha mãe disse que estava muito orgulhosa de mim e a ponto de decorar todos os post, como amigos e novos seguidores me pediram resenhas, mais avaliações de café, dicas de leitura; muitos adoraram as ilustrações e essa ou aquela história. Bom, para mim tudo isso diz muito sobre o que faz total sentido na vida.


Em algum final de semana gelado deste último mês, enquanto eu lia já a ponto de terminar O caminho de Ida, do Ricardo Piglia (Companhia das Letras, 2014), me dei conta de que aquela era a primeira vez em meses que eu conseguia começar e terminar a leitura de um único volume em menos de dois dias. Sem dividir a atenção com outros quatro livros, sem pausar a leitura de dois deles e retomar dali a quinze dias, além de emendar com mais outro. Ali constatei que, ao que tudo indicava, estaria chegando ao fim um longo ciclo de ansiedade – provocada por uma montanha russa acontecimentos. O primeiro sinal de que as coisas não vão bem por estas paragens é a indisciplina com a leitura. O retorno da disciplina, como a melhor das medidas de reapropriação íntima e pessoal, é mais um dos pequenos monstros devidamente devolvidos para debaixo da cama.

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Novo endereço do blog

Comecei a ler um livro e nunca mais tive descanso. Depois de muitas noites folheando e relendo Paulo Mendes Campos e longas conversas ao WhatsApp com K., finalmente o blog tem nome novo. E antes que perguntem “mas qual é mesmo o motivo da mudança de tua graça?”, digo que aguardem, pois falta ainda  que fiquem prontos os novos vestidos e sapatos da datilógrafa.

(…) Finalmente criei coragem para mostrar um texto meu numa publicação que é lida por mais de quinze pessoas. Senti um arrepio de identificação e alegria quando li essa frase na reportagem Amor Canino de Pablo Scioscia*, publicada na piauí deste mês. Mudanças vêm por aí.

*Evidente que o texto na íntegra do moço nada tem a ver com coragem para escrever, e por isso mesmo tenham a bondade de visitá-lo. Principalmente se o leitor tem problemas com cachorros incríveis e desobedientes.