Das leituras | ‘Dias perfeitos’, de Raphael Montes

Dias perfeitos: aquele livro para ler de uma tacada só (e ter pesadelos)
Dias perfeitos: aquele livro para ler de uma tacada só (e ter pesadelos)

“Fez cortes nas articulações, divertindo-se ao ouvir o barulhinho peculiar dos membros inferiores soltos na altura da virilha. Poc. Lembrava um vidro de palmito sendo aberto.”
(Trecho de Dias perfeitos, de Raphael Montes. Companhia das Letras, 2014)

Comecei a ler Dias perfeitos às 15h30 desta última quinta-feira e terminei apenas seis horas depois, o que já diz bastante sobre o ritmo da narrativa e grau de envolvimento ao qual o autor Raphael Montes – de apenas 23 anos – me submeteu. Fui fã de literatura policial na adolescência, e talvez este seja o primeiro do gênero que retomei depois de adulta. O livro descreve a crescente obsessão do solitário estudante de medicina Téo pela “curtindo a vida adoidada” e também universitária Clarice, após conhecê-la num churrasco. Não quero dar spoilers por aqui, apenas adianto que até conhecer a menina e sequestrá-la para que ela experimente, ao lado dele, o amor em plenitude numa série de ‘dias perfeitos’, o melhor lugar do mundo para Téo era a aula de anatomia e sua melhor amiga, uma defunta chamada Gertrudes. Violência, perversidade, sadismo, além de um aprofundamento tão rico numa mente doentia que dá gosto de ler. De quebra, ganha-se algum material para pesadelos pós-leitura. E pensar que tudo se passa no Rio de Janeiro…

Não sei se Raphael Montes “está entre os mais brilhantes ficcionistas jovens”, como afirma Scott Turow logo no adesivo da capa. Comprei este livro logo após o lançamento, e me recordo bem de todo o barulho e promoção em torno do título, que é da Companhia das Letras, e a ótima recepção da crítica. No entanto, a narrativa em muitos aspectos lembra livros infanto-juvenis, há uma ou outra passagem que poderia ser cortada, algumas repetições e vícios (o autor parece gostar muito do adjetivo “ofensivo”) e soa como se a parte final tivesse recebido um pouco menos de esmero no tratamento; senti pressa nas entrelinhas. De qualquer maneira, é um livro que prende e não dá um minuto de sossego. Se o autor ainda “não é tudo isso”, vale a pena acompanhar sua obra evoluir e amadurecer.

Onde eu comprei? Na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, Avenida Paulista, São Paulo.

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