Tudo vai ser diferente quando eu abrir meus olhos

Era uma brincadeira da minha meninice: fechava os olhos com o dicionário sobre as pernas porque imaginava que quando abrisse eu iria, finalmente, saber ler. Aquela era a única mudança possível e que me interessava no momento. Dias depois cheguei colocar um lápis, xícaras e pires cor-de-rosa de brinquedo e uma borracha dentro de uma lancheira a tiracolo e fugi para a escola perto de onde eu morava e onde meu irmão estudava e, frustração das minhas frustrações, já lia. Lembro da inspetora me barrando e da babá me levando de volta pela mão, “a menina fugiu pra escola”. Em casa, aparentemente ninguém teve coragem de ralhar. “Mas mãe, quando que é que eu vou pra escola mesmo?”

Aprendi a ler muito rápido e a odiar matemática muito cedo. Sobre as xícaras cor-de-rosa, eu tinha certeza que lá, na escola, também se podia brincar de tomar chá com a professora.

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